segunda-feira, 27 de maio de 2013

Efeitos colaterais da cirurgia bariátrica

A cirurgia bariátrica caiu no gosto popular. Só que não podemos esquecer que esta é uma cirurgia como qualquer outra e por isso pode apresentar riscos e efeitos colaterais.

A minha cirurgia foi a Capella. Que é quando se costura o estomago, reduzindo seu volume para 200 ml e ligando esta parte do estomago no intestino duodeno. Foi feita por laparoscopria. O cirurgião fez pequenas incisões (furinhos) na barriga, muito menores que uma moeda de um centavo.

Neste tipo de cirurgia a pessoa nunca mais volta a comer como antes, pois é impossível expandir o estomago de novo. Ele não foi grampeado, foi costurado. O restante do órgão está lá dentro, quietinho funcionando, mas sem ser usado. Muitas pessoas entram em depressão profunda quando se apercebem que não podem mais ir à um rodízio de pizza, à uma churrascaria e comer como antes. Ai precisam tomar remédios anti-depressivos e em casos extremos o cirurgião tem que desfazer a cirurgia.

Quando se trata de problemas psiquiátricos, o problema é gravíssimo. As pessoas que sofrem de obesidade geralmente sofrem desse mau há muitos anos, na maioria dos casos a vida inteira e por causa disso desenvolvem ao longo da vida problemas psiquiátricos graves que levam a morte e que os fazem cometer o suicídio. Problemas como bulimia, anorexia, transtornos de personalidade são algumas das doenças que podem se manifestar após a cirurgia.

Outro efeito colateral é a carência de vitaminas e minerais. Pelo fato de não ser usado todo o estômago também passa-se a não se absorver todos os alimentos  como antes, daí aparece a carência de vitaminas e minerais. A pessoa pode ficar com problemas como osteoporose, queda de cabelo, anemia, caries, problemas de pele, etc.

Por não conseguir consumir grande volume de água, a pessoa operada pode desencadear um quadro de desidratação. O que pode dificultar o processo de emagrecimento ou pior: levar a pessoa a morte.

Devo avisar que após a cirurgia, vomitos farão parte do cotidiano do paciente bariátrico. Hoje em dia eu levo no mínimo 40 minutos para comer 200g de comida. Se eu fizer em menos tempo, certamente vomitarei e pior: até vomitar a comida fica entalada no esôfago, no meio do peito, começo a ficar com o rosto todo rosto, começo a sentir falta de ar, não consigo respirar e só ai eu vomito. É horrível! A sensação é de que vou morrer asfixiada com a comida.

O dumping é outro efeito colateral da cirurgia. Isto ocorre quando a parte inferior do intestino delgado enche-se rapidamente com alimento não digerido no estômago, causando mal estar. A sindrome do dumping é muito comum nas pessoas que se submeteram à cirurgia devido ao consumo de carboidratos simples (açúcar, balas e doces) ou carboidratos com alto índice glicemico. Se a pessoa comer rápido demais ou se beber refrigerante enquanto come pode ter um dumping e passar mal.

Há dois tipos de sindrome de dumping: a precoce e a tardia. A síndrome precoce começa durante ou imediatamente após uma refeição e seus sintomas são:cólicas abdominais, inchaço, palpitações, náuseas, vômitos, diarréia e falta de ar. E a sindrome tardia ocorre normalmente 1 até 3 horas após a ingestão e seus sintomas são: tonturas, fraqueza e fadiga.

A cirurgia bariátrica é a principal causa do dumping, porque ela altera a anatomia e o funcionamento digestivo normal do estômago e em alguns tipos de cirurgia altera até o intestino delgado. A cirurgia pode reduzir a quantidade de suco gástrico e pancreático.

Para tratar o dumping, é preciso mudar os hábitos alimentares. Consumir várias porções por dia, não beber enquanto come e mastigar completamente os alimentos.
O dumping não representa grande risco a saúde e é um indicador de que a pessoa operada anda comendo a mais , ou comendo rápido demais, ou ainda ingerindo muitos alimentos ricos em açucares. Normalmente os operados apresentam 2 ou 3 episódios graves de dumping.

A cirurgia pode ser a solução, mas é preciso estar preparado para enfrentar este processo. Antes e após a cirurgia a pessoa deve estar assistida por uma equipe médica especializada, composta por cirurgião, nutricionista, endocrinologista, cardiologista, psicologo e um psiquiatra. Eu tenho tudo isso. No momento estou sem psicologo, mas em breve retomarei minha análise.

Estou muitíssimo feliz com o resultado da minha cirurgia! Foi uma das melhores coisas que fiz na minha vida! Se me perguntarem, eu recomendo.